Parte I.I | Relatório de Estágio: Reflexões sobre as observações
As observações foram realizadas no mês de Outubro/2019, entre os dias 21/10/19 e 31/10/19, totalizando oito aulas de língua inglesa observadas no 7º (turmas 72.03 e 72.04) do ensino fundamental, turmas nas quais o professor ministra as aulas e os mesmos conteúdos. Trago neste post os detalhes que observei e os desafios enfrentados durante as observações e fazeres didático-pedagógicos.
No primeiro dia de observação, cheguei na escola mais cedo e fui até a coordenação pedagógica onde encontrei a professora-colaboradora e em seguida fui ao encontro do professor que ministra a disciplina de Língua Inglesa - formado em Letras com dupla habilitação - Inglês e Português. Ele também leciona Língua Portuguesa na escola-campo. Eu já o conhecia, pois no estágio I observei algumas de suas aulas. A recepção foi calorosa e generosa, logo senti a receptividade no ambiente e dos professores para comigo.
Farei o relato das observações focalizando os pontos que mais me chamaram a atenção durante a minha passagem na escola-campo assistindo aulas de Língua Inglesa no Ensino Fundamental.
Alguns fatores observados em certas aulas se mostraram permanentes em outras aulas observadas, como por exemplo a questão dos alunos mais inquietos inviabilizando o trabalho do professor. Com isso, tentarei unificar essas semelhanças e acontecimentos de maneira organizada e unificada para que eu não pareça demasiado repetitivo. O momento de observação da sala de aula e de como as atividades pedagógicas irão se desenvolver é um momento muito peculiar em nossa formação. Voltar aos bancos da sala de aula como professor em formação e disposto a olhar analiticamente - e criticamente- o ambiente e os sujeitos que o preenchem é uma tarefa desafiadora.
Por mais simples que essa atividade possa parecer, o tempo de duração dessas atividades foram extensos demais. Isso porque durante o processo de desenvolvimento das atividades pedagógicas grande parte da turma não prestava atenção nos dizeres do professor e nem nas atividades que eram propostas por ele. Antes dos alunos copiarem os desenhos o professor realizou um trabalho com a pronúncia, ele falava as partes do corpo em inglês e, em seguida, os alunos repetiam. Essa atividade transcorria de modo acelerado, era notório que o professor tentava agilizar os conteúdos - visto que já estavam no final do 4º bimestre - e não havia tempo de corrigir as pronúncias que não estavam adequadas. Como tive boa interação com os alunos, eles vieram até mim questionando a pronúncia de determinadas palavras.
Em uma semana pude acompanhar seis aulas, todas dedicadas ao ensino de Body Human Part. As primeiras aulas tiveram como objetivo apresentar o vocabulário aos alunos. Ou, nas palavras do professor, fazer com que os alunos memorizassem as palavras. Diga-se de passagem, a apresentação desse vocabulário estava descontextualizada. O conteúdo foi apresentado de maneira agressiva, sem uma introdução, sem uma atividade lúdica que favorecesse a interação e participação dos alunos nas atividades propostas e futuras.
A segunda parte dessa atividade, que acompanhei na segunda semana de observação, os alunos foram desafiados a fazerem exercícios e, após a atividade de fixação, o teste oral. No teste oral, os alunos, para obterem a pontuação de dois pontos, precisavam acertar ao menos 4 partes do corpo humano em inglês, quando questionados. Veja na imagem abaixo a atividade de fixação:
Nessa atividade, os alunos deveriam colocar os nomes da parte do corpo (em inglês) abaixo da figuras apresentadas na tarefa 1, já na atividade 2 os alunos fizeram um caça palavras. Pude notar que as atividades propostas aos alunos tiveram pouca receptividade por parte deles. Isso pode ser consequência de uma atividade que foi introduzida de maneira engessada e não dinâmica. Todas as atividades se resumiam em: copiar e responder.
As turmas tinham em torno de 16-20 alunos cada. Em ambas as turmas, os alunos se mostravam inquietos e desinteressados no aprendizado da Língua Inglesa. O ambiente, muito quente por sinal, favorecia as sensação de irritabilidade e stress. Os alunos estavam sempre gritando e ofendendo uns aos outros. A ideia de um ambiente pedagógico estava ausente. Porém, são inúmeras as questões que interferem nessas atitudes, a sala de aula ao meu ver, é um pequeno Brasil, que se mostra multifacetado e esquecido pelos governantes.
Durante as observações fiquei muito perplexo, em alguns momentos, com a dinâmica nada emancipadora e criativa com que o ambiente se desenvolve. Os alunos, obviamente, respondem de maneira agressiva a essas dinâmicas, expressando seus incômodos, inquietações e desinteresses em estar na sala de aula.
As bagunças e a falta de atenção por parte dos alunos foi unânime em todas as observações, salvo os breves momentos que de fato a aprendizagem se expressou. Posso dizer que numa aula de 50 minutos 30min são dedicados a um momento para que os alunos se acalmem, fiquem quietos e prestem atenção na presença do professor e na sua proposta de trabalho.
As aulas observadas foram no turno vespertino momento após os alunos voltarem do recreio, ou seja, estão dispersos, eufóricos e com o foco nos momentos vividos no intervalo. Os alunos e alunas entram em sala e ignoram a presença do professor e esse para se tornar visível preenche o quadro com atividades para que os alunos copiem e prestem atenção em sua aula.
À medida que os alunos iam falando e repetindo as sentenças pude perceber o quão eles ficavam animados e felizes em conseguir reproduzir, falar, entender e ser entendido em uma Língua Estrangeira - mesmo que em apenas uma sentença.
O ambiente da sala de aula não possui nenhuma frase ou cartaz que contenha frases em Inglês, como as questões que mencionei anteriormente. Seria interessante e muito produtivo que o professor criasse com a turma essa tarefa de fazer uma placa grande contendo todas as frases úteis para o dia a dia na sala de aula: Can I go the bedroom?; Can you repeat that, please?; How can I say (a word) in English?; Can I go drink water?. De acordo com Oliveira e Paiva (2014, p. 36):
As bagunças e a falta de atenção por parte dos alunos foi unânime em todas as observações, salvo os breves momentos que de fato a aprendizagem se expressou. Posso dizer que numa aula de 50 minutos 30min são dedicados a um momento para que os alunos se acalmem, fiquem quietos e prestem atenção na presença do professor e na sua proposta de trabalho.
As aulas observadas foram no turno vespertino momento após os alunos voltarem do recreio, ou seja, estão dispersos, eufóricos e com o foco nos momentos vividos no intervalo. Os alunos e alunas entram em sala e ignoram a presença do professor e esse para se tornar visível preenche o quadro com atividades para que os alunos copiem e prestem atenção em sua aula.
A minha presença no ambiente foi um motivo para que os alunos permanecessem no local e prestassem atenção ao conteúdo ministrado pelo professor. Isso porque antes das aulas iniciarem eles vinham até mim pedindo para que eu falasse em Inglês com eles e reproduzisse sentenças de permissões como por exemplo: “Posso ir no banheiro?”; “Posso beber água?”; “Professor, repete isso aí!” - para que eles pudessem reportar essas questões ao professor.
À medida que os alunos iam falando e repetindo as sentenças pude perceber o quão eles ficavam animados e felizes em conseguir reproduzir, falar, entender e ser entendido em uma Língua Estrangeira - mesmo que em apenas uma sentença.
A sala de aula pode ser transformada em um ambiente que estimule o uso da língua. Uma ideia são os cartazes feitos pelos próprios alunos e espalhados pelas paredes com frases que representam o discurso da sala de aula. Alguns exemplos são: Good morning. Good evening. Can you repeat that, please? How do I say … in English? What does … mean? I did not understand. How do you spell …? Have a good weekend. Muitas outras frases podem ser construídas com a colaboração dos próprios alunos.
É preciso ter como suporte pedagógico e científico a ideia de que para o aprendizado de uma língua estrangeira, no caso a Língua Inglesa, quanto mais contato o aprendiz tiver mais rápido ele irá internalizá-la. As minhas experiências enquanto professor em formação e aprendiz de Língua Inglesa confirmam essa constatação. Não faltam alternativas de recriação do ambiente escolar, da sala de aula e suas extensões, falta iniciativa - uma outra característica que se torna imprescindível aos professores e professoras.
REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO:
OLIVEIRA E PAIVA, Vera Lúcia Menezes. Aquisição de segunda língua. São Paulo: Parábola Editorial, 2014.



Qual o conceito de língua e aprendizagem por trás das atividades? Copiar e repetir são atividades de que tipo? Envolvem o contexto do aluno? Há interação? Há aprendizagem significativa para a vida? Constituem prática social?
ResponderExcluirApenas consideraria repensar quando diz que o conteúdo foi trabalho de forma agressiva. O que seria isso? O professor explicita o que fariam e os objetivos?
"Can I go to the bathroom/restroom?" "Can I drink water?" "Can I go drinking water?"