PARTE I.II | Relatório de Estágio: Sobre as regências
As regências ocorreram na primeira semana de novembro, para ser específico, no dia 06 de novembro. Foram quatro aulas ministradas. Duas na turma 72.03 e duas na turma 72.04. O conteúdo que preparei foi sugerido pelo professor, as turmas estavam estudando partes do corpo humano semanas atrás. Como “parte” desse conteúdo, o professor sugeriu-me que preparasse duas aulas, uma sobre clothes e outra sobre o verbo modal can. Ele não foi específico quanto às atividades que eu deveria preparar e no que eu deveria focar. Ele deixou-me livre e confortável para prepará-las do modo que eu achasse interessante e oportuno. Ele apenas pediu-me que compartilhasse os planos de aula dias antes da regência. Assim foi feito. Quando compartilhei o plano de aula sobre clothes com o professor imediatamente ele me mandou um áudio por um aplicativo de mensagens dizendo que aquele plano de aula, certamente, seria o suficiente para duas aulas. Ou seja, planejei uma aula que, por conta da dinâmica da escola e agitação dos alunos, ocupou duas aulas. Vou comentar sobre um plano de aula, que foi dividido em duas aulas ou melhor, que se transformou em duas aula.
Isso aconteceu por um motivo bem simples. A aula de língua inglesa é logo após o recreio. Nesse momento, os alunos voltam cansados e agitados. Até a aula começar, de fato, o tempo despendido para que os alunos venham a se concentrar é em torno de vinte e cinco minutos e quando a aula começa a fluir toca o sinal que indica o momento do lanche. O horário do lanche é o horário da aula, os alunos vão até a cantina, pegam os seus lanches, comem e depois retornam para a sala. A fila é extensa e os alunos demoram a retornar. Entretanto, com muito esforço consegui colocar em práticas as atividades planejadas. Um alívio.
Antes de relatar como foram as aulas é preciso destacar o plano de aula e as motivações que me levaram a prepará-lo do modo que preparei. Quando me deparei com a situação de “preparar as aulas” senti uma responsabilidade que me fez reavaliar os acontecimentos das observações feitas nas últimas semana a fim de reconfigurar algumas questões didático-pedagógicos. Como por exemplo, dinamizar as aulas. Os conteúdos que preparei foram os mesmos para ambas as turmas. A receptividade das atividades foi algo diferente entre elas.
PLANO DE AULA:
CONSIDERAÇÕES:
O primeiro passo (introducing yourself) do plano de aula foi bem sucedido em ambas as turmas. Com algumas exceções. Um dos objetivos deste estágio era favorecer maior interação dos alunos com eles mesmos e deles comigo. Para isso, eu propus que os alunos fizessem um grande círculo na sala (alguns resistiram - mas acabaram participando) para que todos tivessem ampla visão do ambiente e de seus colegas. A dinâmica era ficarmos de pé e ao som de uma música interagimos e nos apresentarmos. Percebendo a questão do horário e dificuldade de manter a atenção dos alunos eu tive que mudar alguns pequenos detalhes. A minha apresentação pessoal e dos alunos aconteceu sem música, mas conseguimos manter os círculos. Na lousa, estavam as respostas em Inglês para que os alunos, quando questionados sobre “What’s your name?”; “How old are you?”; “Where are you from?” respondessem de modo adequado. Num primeiro momento tentei não colocar no quadro como os alunos deveriam responder, mas, percebendo a situação de modo compreensivo e generoso, eu pus no quadro as sentenças para ajudá-los. As turmas 72.03 e 72.04 responderam bem às atividades e interagiram comigo.
O segundo momento da aula foi a apresentação do objetivo principal da aula. Denominado no plano como “Opening of the workshop” o objetivo da atividade era dialogar com os alunos sobre as roupas que elas e eles estavam vestindo. Para isso, os alunos foram levados e instigados a falarem algumas peças de roupa em Inglês. Nas turmas onde realizei essas atividades dois ou três alunos conheciam a palavra “t-shirt”, nada mais além disso. As provocações continuaram. Fui questionando-os sobre as suas roupas. Perguntas do tipo “What is it?” (apontando para uma calça ou camisa), eles respondiam: “É uma camisa, professor!”; “É uma calça, professor!”. Em seguida, eu dizia: “This is a t-shirt!” ou “These are pants!”. Após isso, solicitei aos alunos que repetissem as sentenças.
Realizado o levantamento do conhecimento prévio projetei no quadro alguns slides com fotos de peças de roupa e os respectivos nomes em Inglês. Num primeiro momento, foi apresentado aos alunos somente as fotos e depois de provocá-los a responder em inglês - quando questionados - aparecia embaixo da foto o respectivo nome em inglês. Veja um exemplo logo abaixo:
Nessa atividade, apresentei aos alunos treze peças de roupa e seus respectivos nomes em Inglês. Foram elas: socks, shoes, pants, t-shirts, dress, jeans, sweater, skirt, pajamas, shirt, short, sweatshirt e cap. Durante a apresentação trabalhei pronúncia com os alunos que respondiam atentamente e de maneira animada. Digo isso porque quando notamos que os alunos são recíprocos na troca de aprendizados, essa postura nos influencia e nos dá mais empolgação para levarmos adiante as atividades propostas. Ainda na apresentação do vocabulário sobre clothes nós discutimos sobre peças de roupas que não são comuns na realidade dos alunos por conta do clima local. Como por exemplo, as peças de roupa sweater e sweatshirt. “We wear sweater here?”, eu perguntei aos alunos, eles respondiam: “O que é isso, professor?”, realizei mímicas e falei sobre algumas estações do ano para ver se os alunos entendiam: “Tocantins is very hot”, “Tocantins is not cold”. Deu certo. Já num segundo momento: “We wear sweater here?”, agora, eles diziam: “No, is hot here!”.
Finalizado o trabalho com vocabulary entreguei aos alunos cópias da canção “What are you wearing?”. Veja a letra na imagem abaixo:
Após todos os alunos terem recebido as cópias da música eu a reproduzi na caixa de som. A primeira tarefa era ouvir atenciosamente a canção. Já num segundo momento de reprodução da música, pedi aos alunos que caso identificassem algum nome que já foi falado em sala que marcassem na folha qual era a palavra (peça de roupa) que reconheceram. Essa tarefa não foi muito bem sucedida pois grande partes dos alunos sentiam-se envergonhados ao cantar. Os alunos que participaram, ao cantar e expressar as palavras, reconheciam alguns desses vocabulários vistos anteriormente. Ambas as turmas realizaram essa atividade. Entretanto, a turma 72.04 (a segunda turma que regi aula no dia) não estava tão empolgada como a turma 72.03. Isso porque duas alunas da turma estavam tensas e preocupadas pois haviam quebrado o cano da caixa d’água da escola ao jogarem nele um pedregulho. Isso causou inquietação em toda a turma. A gestão da escola ia até a porta da sala a todo momento verificar se as alunas estavam lá pois os seus responsáveis tinham sido convocados à escola. Dentro desses limites, consegui finalizar com sucesso o penúltimo passo do plano de aula.
Como parte final do plano de aula levei para os alunos uma atividade de fixação. Veja as imagens abaixo (a primeira imagem é a atividade em branco, as duas fotos seguintes são as produções de alguns alunos):
Tal atividade foi escolhida pois contempla todas as atividades que realizei com as turmas. Nela é possível ver as imagens das roupas, os nomes em inglês e ainda as ocasiões em que cada roupa pode ser usada e em que parte do corpo usá-las. Todos os alunos, sem exceção, responderam essa atividade. Esse momento foi interessante e onde tivemos maior interação. Os alunos gostam de atividades e se dissermos que elas valem pontos eles ficam ainda mais empolgados.
As regências que realizei nas turmas 72.03 e 72.04 foram momentos desafiadores a minha formação, onde pude me reinventar enquanto humano e futuro professor. As aulas foram planejadas respeitando a realidade dos alunos e seus níveis de aprendizado na língua inglesa. Busquei, a todo momento, respeitar a natureza dos aprendizes. Para isso, foi imprescindível adotar uma postura epistemológica que vá de encontro ao que Oliveira e Paiva (2014, p. 151), aponta:
O aprendiz precisa agir no ambiente, buscando propiciamentos que lhe proporcionem inserção em práticas sociais de linguagem mediadas pelo(s) outro(s) e por artefatos culturais. Dessa forma, novas energias impulsionam o processo [...] e também proporcionam novas experiências identitárias, transformando o eu do aprendiz e tornando-o capaz, cada vez mais, de fazer coisas com a nova língua e de participar de novas comunidades, sejam elas imaginadas ou de práticas reais.A partir dessa premissa elaborei os objetivos das aulas a fim de que eles fossem de encontro aos objetivos dos alunos. E se fosse preciso mudar os meus objetivos eu assim faria. Os artefatos culturais que Oliveira e Paiva aponta no trecho acima são as inúmeras ferramentas que podemos utilizar para o aprendizado uma língua estrangeira. No caso das minhas aulas, esses artefatos foram as músicas, os slides e as imagens. Tal experiência contribuiu enormemente aos meus ideias de educação e do que entendo do que é ser professor (essas reflexões estarão no último post).
O trabalho com clothes se mostrou produtivo e eficaz, apesar dos contratempos pelos quais passamos, eu e os alunos. A sensação que tive, após o término de cada aula, foi de dever cumprido. Quando voltei à escola dias depois para uma ação no dia 20/11, em alusão ao dia da consciência negra, alguns alunos vieram até mim e disseram algumas palavras do vocabulário que estudamos e lembraram da música que trabalhamos em sala.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
OLIVEIRA E PAIVA, Vera Lúcia Menezes. Aquisição de segunda língua. São Paulo: Parábola Editorial, 2014.










Cabem pequenos ajustes linguísticos de concordância de gênero e número aqui e ali, uma crase, umas vírgulas...
ResponderExcluirFicou confuso sobre o recreio. Afinal, a aula é interrompida pelo lanche, mas o tempo continua correndo? Ou a aula é após o intervalo? Pense na escola no Rio, onde não é assim. Como explicar para um amigo seu de lá? Qual sua avaliação dessa situação? Não podemos deixar nada como naturalizado.
Muito bom observar que um mesmo plano de aula, até na mesma escola, terá resultados diferentes. Há trabalhos sobre motivação em sala de aula como motor para redução de indisciplina e como propulsor da elevação da aprendizagem.
Nas referências, cabe colocar o título do capítulo.