PARTE I.III | Relatório de Estágio: Reflexões iniciais sobre as oficinas do Pibid
Como parte do desenvolvimento do relatório de estágio, esse post (que será dividido em duas partes) é inteiramente dedicado às oficinas do Pibid (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência), das quais colaborei no planejamento e participei como professor em formação, a frente de uma turma de alunos dedicados e curiosos do 8º e 9º anos. Essas oficinas aconteceram nos seguintes dias: 11/09/2019; 18/09/2019; 25/09/2019; 02/10/2019. Para dar conta de uma discussão bem desenvolvida em termos teóricos e reflexivos sobre as práticas, esse post estará organizado com base no que foi planejado e destacado na sequência didática e nos planos de aula. Para cada dia, irei apresentar o plano de aula desenvolvido e, após a apresentação, discutirei de modo crítico-reflexivo sobre as oficinas, incluindo o início, o desenvolvimento e conclusão.
Para tanto, é preciso destacar o que é o Pibid e quais são as minhas concepções sobre o programa. Farei isso de modo objetivo mas com uma postura séria e digna, aos termos do programa e como ele merece ser encarado. O Pibid oferece bolsas aos discentes matriculados em cursos presenciais e de licenciatura que não passaram do terceiro período do curso e que desejam se comprometer com o exercício do magistério na rede pública de ensino. O principal objetivo do programa é aproximar o licenciando do campo escolar e das vivências da vida docente. O Pibid oportuniza amplo contato com a escola e permite aos futuros professores o descobrir corpo a corpo o que é ser professor. Esse programa objetiva, também, unir escolas e universidades via educação, via magistério. Desse encontro, espera-se que a colheita dos frutos seja benéfica para a toda a sociedade.
O Pibid é um programa necessário. Por meio dele, destaco as principais contribuições à minha desenvoltura no fazer pedagógico: disciplina, maturidade, posturas crítico-reflexiva, humildade, sensibilidade, compaixão e seriedade. Muitos desses sentimentos hoje estão marginalizados e ultrapassados para aqueles que vêem a educação como mercadoria e não como fazer humano. O Pibid é uma grande teia, essa teia é tecida por diversos elementos, cores, saberes e sabores. É uma teia multi e interdisciplinar que contribui em larga escala para as melhorias necessárias na educação brasileira.
Na segunda quinzena do mês de agosto, na Universidade Federal do Tocantins, campus de Porto Nacional, pibidianos do curso de Letras deram início às discussões e planejamentos das sequências didáticas e planos de aula para as oficinas que iriam acontecer no próximo mês, no caso, setembro de 2019. Foi destinado, ao meu grupo, o compromisso de trabalhar histórias em quadrinho. Encaramos esse desafio de maneira contente e contemplativa, pois: "nas HQ, diversos temas da cultura brasileira são tratados, como tradicionais brincadeiras infantis, religiosidade, crendices populares, personagens do folclore (saci pererê, curupira, Iara, mãe d’água, mula-sem-cabeça, lobisomem), animais da fauna brasileira, festas populares (carnaval, festa junina, festa agropecuária), futebol, costumes, músicas, poesias, comidas típicas, questões regionais, dentre outros” (MELO, 2017). É, portanto, um gênero textual com um forte potencial criativo de chamar a atenção dos alunos.
Para darmos conta de discutirmos as histórias em quadrinho - um gênero textual - tivemos que, num primeiro momento, elaborar a sequência didática. A sequência didática teve como referencial teórico o grupo de Genebra (Dolz, Noverraz e Schneuwly). Esses autores fornecem excelentes epistemes para a realização de um trabalho consistente com gêneros textuais orais ou escritos nas salas de aula. Para os autores, a “sequência didática é um conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero textual oral ou escrito” (Dolz, Noverraz e Schneuwly, 2004, p. 97). Essa premissa foi determinante ao meu grupo, uma vez que, as sequências didáticas precisam condensar de modo objetivo e, ao mesmo tempo bem referenciado, como será o desenrolar das atividades propostas e quais objetivos desejamos atingir.
A figura abaixo nos mostra como o grupo de Genebra articulou e teorizou sobre as sequências didáticas voltadas a um trabalho com gênero textuais. Através desse exemplo, os autores destaca que ele "procura favorecer a mudança e a promoção dos alunos ao domínio dos gêneros e das situações de comunicação”(Dolz, Noverraz e Schneuwly, 2004, p. 97):
A sequência didática que desenvolvemos tinha como objetivo principal aproximar os alunos do gênero textual história em quadrinho (HQ). A nossa sequência didática buscou oportunizar, também, o desenvolver criativo de HQ’s por parte dos alunos. Abaixo discuto os quatro módulos desenvolvidos. Primeiro, uma discussão do primeiro módulo (discutido e apresentado em três etapas) e depois reflexões e apresentação do módulo 2, 3 e 4.
A SEQUÊNCIA DIDÁTICA E ALGUMAS REFLEXÕES
No primeiro módulo tínhamos como objetivo realizar o levantamento prévio dos alunos acerca do gênero textual história em quadrinhos (HQ’s). Para isso, começamos a oficina de maneira bem confortável para os alunos e sem intimidações de ordem conteudística. O objetivo era saber o que os alunos entendiam por HQ’s, se já tinham algumas, se estão lendo atualmente, se nunca leram e se possuem interesse em ler. Depois de algumas discussões e apresentações de HQ’s físicas, nós focamos em discutir e apresentar aos alunos falas sobre os surgimento das HQ’s (século XIX), como elas se apresentaram no Brasil e quais são seus personagens mais famosos em terras brasileiras.
No primeiro módulo tínhamos como objetivo realizar o levantamento prévio dos alunos acerca do gênero textual história em quadrinhos (HQ’s). Para isso, começamos a oficina de maneira bem confortável para os alunos e sem intimidações de ordem conteudística. O objetivo era saber o que os alunos entendiam por HQ’s, se já tinham algumas, se estão lendo atualmente, se nunca leram e se possuem interesse em ler. Depois de algumas discussões e apresentações de HQ’s físicas, nós focamos em discutir e apresentar aos alunos falas sobre os surgimento das HQ’s (século XIX), como elas se apresentaram no Brasil e quais são seus personagens mais famosos em terras brasileiras.
Depois dessa discussão e feito o levantamento prévio nós apresentamos alguns slides e demos início a construção coletiva do entendimento do que é uma história em quadrinho, sua estrutura, os recursos e figuras de linguagens mais comuns bem como o que se entende por gibis, mangás, HQ’s, tirinhas e etc (2ª etapa). Buscamos, nesta parte em específico, evidenciar as diferenças entres esses tipos de textos e destacar as características das HQ’S (gênero foco da nossa oficina).
A terceira parte, componente do módulo 1, centrou-se no tema HQ’s e sociedade. Aqui, nós entramos no tema da diversidade linguística uma vez que fizemos o levantamento e o apontamento dos personagens mais famosos das HQs brasileiras que carregam uma forte marca linguística, como por exemplo o Cascão, da Turma da Mônica. A discussão sobre a variedade linguística foi um bom pretexto para um tema mais amplo da nossa oficina e foco dela: as diversas línguas faladas no Brasil.
No módulo 2 demos início à produção das histórias em quadrinhos com base nos temas discutidos no primeiro módulo, onde tratamos sobre as diversidades linguísticas e a variação de línguas, onde trabalhamos com as línguas africanas (língua Iorubá, do sudoeste da África), línguas indígenas (em especial a língua dos povos Akwe Xerente), Inglês e a Língua portuguesa. Essas produções foram feitas na plataforma Pixton. O início dessa oficina foi dedicado à apresentação da plataforma aos alunos e exploração dos recursos que o site disponibiliza. Os alunos deram sequência às produções no terceiro módulo.
No 4º e último módulo, realizamos uma roda de conversa em sala de aula com os alunos e professores(a), na qual, realizamos a avaliação dos alunos durante o processo e os provocamos com perguntas relacionadas ao tema estudado e socializamos as experiências e produções das HQ’s. Por meio dessa atividade proporcionamos aos alunos um momento de reflexão ante ao trabalho desenvolvido por eles. Na roda de conversa, os alunos foram motivados a falarem sobre as suas sensações, sentimentos, descobertas e desejos que nasceram ou foram despertados durante a participação deles na oficina “Caminhando entre línguas na escola: o lugar da diversidade linguística”. Algumas dessas questões foram: Qual a diferença entre histórias em quadrinhos, tirinhas e gibis?; o que são onomatopeias?; ao produzirem as histórias em quadrinhos se identificaram com algo do dia a dia?; qual língua os alunos tiveram facilidade de desenvolver durantes as oficinas realizadas da escola?; como vai ser daqui pra frente ao se depararem com outra lingua(gem) que não a falada por vocês?; para você, qual é a relação entre língua e cultura?; a oficina mudou em algo em sua vida?; a oficina despertou em você novos conhecimentos?; você sabia que outras línguas eram faladas aqui no Brasil além do Português?
Espero ter apresentando, nesse post, os principais elementos composicionais da sequência didática que me levou até a sala de aula entre setembro e outubro do presente ano para aplicação das oficinas. No próximo post, destacarei detalhadamente e com reflexões pontuais sobre cada dia. Aqui, o meu objetivo foi apresentar uma visão ampla das oficinas e oportunizar a você um maior contato com as minhas práticas pedagógicas.
A terceira parte, componente do módulo 1, centrou-se no tema HQ’s e sociedade. Aqui, nós entramos no tema da diversidade linguística uma vez que fizemos o levantamento e o apontamento dos personagens mais famosos das HQs brasileiras que carregam uma forte marca linguística, como por exemplo o Cascão, da Turma da Mônica. A discussão sobre a variedade linguística foi um bom pretexto para um tema mais amplo da nossa oficina e foco dela: as diversas línguas faladas no Brasil.
No módulo 2 demos início à produção das histórias em quadrinhos com base nos temas discutidos no primeiro módulo, onde tratamos sobre as diversidades linguísticas e a variação de línguas, onde trabalhamos com as línguas africanas (língua Iorubá, do sudoeste da África), línguas indígenas (em especial a língua dos povos Akwe Xerente), Inglês e a Língua portuguesa. Essas produções foram feitas na plataforma Pixton. O início dessa oficina foi dedicado à apresentação da plataforma aos alunos e exploração dos recursos que o site disponibiliza. Os alunos deram sequência às produções no terceiro módulo.
No 4º e último módulo, realizamos uma roda de conversa em sala de aula com os alunos e professores(a), na qual, realizamos a avaliação dos alunos durante o processo e os provocamos com perguntas relacionadas ao tema estudado e socializamos as experiências e produções das HQ’s. Por meio dessa atividade proporcionamos aos alunos um momento de reflexão ante ao trabalho desenvolvido por eles. Na roda de conversa, os alunos foram motivados a falarem sobre as suas sensações, sentimentos, descobertas e desejos que nasceram ou foram despertados durante a participação deles na oficina “Caminhando entre línguas na escola: o lugar da diversidade linguística”. Algumas dessas questões foram: Qual a diferença entre histórias em quadrinhos, tirinhas e gibis?; o que são onomatopeias?; ao produzirem as histórias em quadrinhos se identificaram com algo do dia a dia?; qual língua os alunos tiveram facilidade de desenvolver durantes as oficinas realizadas da escola?; como vai ser daqui pra frente ao se depararem com outra lingua(gem) que não a falada por vocês?; para você, qual é a relação entre língua e cultura?; a oficina mudou em algo em sua vida?; a oficina despertou em você novos conhecimentos?; você sabia que outras línguas eram faladas aqui no Brasil além do Português?
Espero ter apresentando, nesse post, os principais elementos composicionais da sequência didática que me levou até a sala de aula entre setembro e outubro do presente ano para aplicação das oficinas. No próximo post, destacarei detalhadamente e com reflexões pontuais sobre cada dia. Aqui, o meu objetivo foi apresentar uma visão ampla das oficinas e oportunizar a você um maior contato com as minhas práticas pedagógicas.
Algumas fotos do meu arquivo pessoal:
REFERENCIAIS BIBLIOGRÁFICOS:
SCHNEUWLY, Bernard; DOLZ, Joaquim. Os gêneros escolares – das práticas de linguagem aos objetos de ensino. In: SCHNEUWLY, Bernard.; DOLZ, Joaquim. e colaboradores. Gêneros orais e escritos na escola. [Tradução e organização: Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro]. Campinas-SP: Mercado de Letras, 2004.
VYGOSTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
MELO, Lívia Chaves. Abordagem interdisciplinar de trabalho pedagógico com histórias em quadrinhos: uma proposta orientada pelo letramento científico. REVELLI-Revista de Educação, Linguagem e Literatura (ISSN 1984-6576), v. 9, n. 3, p. 93-117, 2017.




LEmbrando que o maior destaque das HQs não é admitirem diversos temas, (do Brasil e também do mundo) porque diversos gÊneros comportam isso, mas sua multimodalidade. Multimodalidade que na forma dos quadros, forma e cor das fontes, onomatopéias e seu desenho, colorização, traço dos desenhos e texto em si... Tudo isso unido na significação em diversos níveis de complexidade textual e imagética.
ResponderExcluirPodemos escrever sobre isso, pois vocÊ fez uma bela explanação sobre a importÂncia da afetividade e da empatia, organização, planejamento etc.
Gibi é uma metonímia, pois nome de uma antiga revista HQ. Observe alma revisão linguística quanto a uso de preposição e crase. Faça referência a Vygotski no corpo do texto. HQs encontram respaldo na BNCC? E a língua inglesa? Alguma referência ao multiculturalismo? Na escrita de artigo posso ajudar nisso também.
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