PARTE I.IV | Relatório de Estágio: As oficinas do Pibid em discussão

Sobre o dia 11/09/2019:

No dia 11 de setembro, já na escola para as práticas de desenvolvimento das oficinas pedagógicas do Pibid, tínhamos como objetivo apresentar a oficina aos alunos e os nossos propósitos e, também, questioná-los sobre quais seriam os seus desejos e curiosidades que desejariam ter como reconhecidas e legitimadas dentro do espaço escolar.

No dia 11/09/19 tivemos em sala cerca de 12-15 alunos. A oficina começou com uma dinâmica chamada “O feitiço virou contra o feiticeiro”. Essa dinâmica visa aproximar os alunos uns dos outros por meio do afeto e do respeito mútuo. Acreditamos que, para o início de um trabalho coletivo, se faz necessário e urgente proposições que vão de encontro aos afetos, generosidade, reciprocidade e zelo - por si mesmo e pelo outro. Os alunos participaram, riram e viram o quão importante é não desejarmos ao próximo aquilo que não gostaríamos que nos acontecesse. A dinâmica durou uns vinte minutos e utilizamos um recurso multimídia para a reprodução de músicas ambiente.

Após a dinâmica e recuperada a atenção dos alunos, iniciamos uma conversa sobre HQs. Até então o debate começou de modo informal, como que a aproximar os alunos dos nossos objetivos e da temática que seria discutida. Os alunos foram rápidos em suas respostas e, de maneira unânime, disseram conhecer HQs e que a mais famosa que haviam lido e visto era a da Turma da Mônica. O assunto não era novidade para os alunos. Mas a nossa dinâmica e o modo como a oficina foi organizada e planejada foi inovador e autêntico.

A introdução pedagógica às HQs se deu, após os debates, via slides. No arquivo destacamos a origem das HQs, a sua estrutura, as composições de linguagem verbal e não verbal, os significados e importância da pontuação e as principais características dos balões de diálogo. Os slides estarão no anexo deste post. Essa discussão durou vinte minutos, contando com a atenção e envolvimento dos alunos, uma vez que reproduzimos personagens das HQs mais conhecidas. Isso despertou a curiosidade dos jovens e os empolgou de certa forma.

Depois da apresentação das HQs e de uma introdução sistemática, partimos para a segunda etapa da oficina. Na segunda parte apresentamos uma outra discussão aos alunos, que centrou-se na temática da diversidade linguística. No início da oficina informamos aos alunos que o nosso maior objetivo - em termos de produção - seria a criação de HQs. Isso motivou alguns e desmotivou outros. Essa criação e daria através de uma temática e essa temática seria os diversos falares no Brasil.


Foram feitas provocações iniciais sobre o que os alunos entendiam sobre diversidade linguística e se eles conheciam alguma pessoa próxima que tivesse como língua materna uma outra estrutura linguística que não a Língua Portuguesa. A grande maioria dos alunos disseram que não, entretanto, um ou dois afirmaram conhecer e ter por perto colegas indígenas. É interessante destacar como os alunos foram atenciosos e curiosos ao debate que estávamos propondo a eles.



Buscamos nessa primeira parte provocar os alunos, lançar ao solo as “sementes” das HQs e da diversidade linguística. Ambos os debates foram proveitosos e exigiram dos alunos participantes da oficina boa expressão e articulação de ideias. Veja abaixo, de modo detalhado, como se deu o primeiro encontro:



Sobre o dia 18/09/2019:


No dia 18/09/2019 tivemos como objetivo a discussão: “Como fazer HagáQuê - primeiros passos”. Nesse dia nos reunimos em sala com dez alunos, e propomos, no início do nosso encontro, um denso debate de ideias sobre as línguas que nós iríamos articular em nossas futuras HQs. Informamos aos alunos que as futuras produções deveriam ter, ao menos, cada uma evidenciando uma determinada e diferente língua das dos demais colegas. Ao falarmos das língua Iorubá, idioma do grupo étnico da África Ocidental, os alunos ficaram ansiosos e perguntaram onde, no Brasil, essa língua era falada. 

O idioma Iorubá é a língua utilizada nos rituais Nagôs-Iorubás nos terreiros de Candomblé Ketu. Após essa explicação, um aluno diz: “Terreiro de macumba, professor?”. E, numa postura generosa e compreensiva, informamos aos alunos o que, de fato, é macumba e o que é o Candomblé. Quanto a língua indígena, a nossa proposta foi apresentar aos alunos palavras do Tupi-Guarani, e reconhecemos juntos muitas dessas palavras em nossos vocabulários regionais e nacional. Trabalhamos também com a língua inglesa. Os alunos mostraram-se abertos e desejosos de compreender a língua e dela se aproriar. Porém, não foi possível realizar um trabalho intenso e apenas com a língua inglesa nessas oficinas. Uma vez que, em meu grupo, eu era o único licenciando em Letras - Língua Inglesa e Literaturas. As demais colegas cursam Língua Portuguesa. 

Entretanto, esse “andar” por entre as línguas foi um trajeto proveitoso e dele colhemos muitos frutos. Veja alguns exemplos de como apresentamos as línguas aos alunos:

Expressão utilizadas das respectivas línguas:



Ainda nesse dia e após discutirmos as línguas apresentadas e treinarmos as suas pronúncias, propomos aos alunos que se reunissem em grupos e elaborassem uma pequena narrativa - ainda no caderno - que contasse a história de algum personagem. Porém, essa narrativa deveria ter como língua alguma das três línguas apresentadas. A história como um todo foi elaborada no coletivo. Apenas as vivências dos personagens foram discutidas de modo isolado, em grupo ou individual. Os alunos foram ousados e desejaram que o principal objetivo das suas histórias seriam mostrar como alguns personagens, que falam outras línguas, sofrem perseguições e preconceitos no espaço escolar. Veja de modo mais detalhado como se deu as atividades do dia 18/09/2019:

Encerramos as atividades desse dia com a conclusão das histórias e pedimos aos alunos que não faltassem nos próximos encontros, visto que grande dos outros colegas não vieram. Porém, como vai demonstrar as produções, os alunos foram poucos na terceira e na quarta oficina. Seguimos para a oficina dos dia 25/09/19.

Sobre o dia 25/09/2019:


Em nosso terceiro encontro o objetivo era claro: produzir as HQs. Para isso, iniciamos as nossas atividades no laboratório de informática do colégio. A oficina começou com uma breve discussão sobre o que havíamos discutido anteriormente, tanto na primeira como na segunda oficina. Tivemos que reapresentar algumas características das HQs pois chegaram alunos novos em nossa sala. Depois disso, pedimos aos alunos que pegassem em seus cadernos as histórias criadas na última oficina para que víssemos como foi montada e se contemplava os ideias da oficina. Após essa averiguação fomos à produção das HQs na plataforma Pixton. Apresentamos aos alunos como eles deveriam acessar a plataforma e fizemos um pequeno tutorial, passo a passo, de como eles poderiam explorar os recursos da plataforma. Os alunos tiveram de 30 a 40 minutos para a confecção de HQs. O processo foi prazeroso, divertido e tenso ao mesmo tempo. Essas sensações são justas e legítimas pois lidamos com gente e lidar com gente é algo sempre provocador. Veja abaixo algumas produções dos alunos, logo após o plano de aula do dia:



Essas produções mostram-se de acordo com os ideias da oficina. Entretanto, destaco algumas dificuldades enfrentadas durante o processo: muitos alunos faltaram, isso porque as oficinas do Pibid acontecem no contra turno dos alunos participantes e para esses a escola não distribui lanches e isso, de algumas maneira, os desmotiva a estarem presentes; na terceira e penúltima oficina recebemos alunos novos, o que complicou a nossa sequência didática. Porém, fomos ágeis e flexíveis quanto às demandas e buscamos soluções ao invés de problemas.

Sobre o dia 02/10/2019:

Eis que chegamos no último dia de oficina, dia 02/10/19, com o objetivo de finalização da mesma. Nesse dia, iniciamos o encontro com algumas pequenas reflexões sobre as experiências dos alunos durante o processo de criação das HQs. Fomos ao laboratório de informática do colégio pois alguns alunos desejaram fazer alguns ajustes em suas produções. Em círculo, iniciamos uma roda de conversa sobre as HQs produzidos. Fizemos a leitura das mesmas e provocamos os alunos a formarem opiniões crítico-reflexivas sobre as suas produções e as dos colegas. Os alunos dialogam conosco e disseram que a experiência foi boa e que gostaram de fazer as suas próprias HQs. Foi possível notar como essas atividades permitem aos alunos o cultivo da autonomia. Em seus olhos, era possível ver como eles se sentiram importantes e integrados nos ideais do projeto e da oficina.

A experiência foi marcante, acredito que tanto para os alunos como para mim, que estive a frente dessa turma e desses alunos desbravadores. As produções das HQs nos mostrou que os alunos desejam discutir com maior frequência temas correlatos a diversidade religiosa, diversidade sexual, diversidade religiosa e bem como as formas de combater atos e atitudes discriminatórias às "diversidades". Para que um trabalho desse renda bons frutos é preciso que a escola, gestores e professores, elevem o espaço de escuta desses jovens. Eles precisam ser ouvidos em seus ensejos, em suas dúvidas - por menores que sejam - e precisam ser inseridos dentro de uma dinâmica educacional que os provoquem a debruçarem-se sobre as suas realidades sociais, e tirar desse debruçar-se reflexões críticas e reflexivas. 

As oficinas, portanto, alcançaram os seus objetivos e, apesar dos contratempos, realizamos bons e libertadores debates. 

Nos vemos no próximo e último post! Até lá! Fique com esses sorrisos e abraços, meu e dos meus queridos alunos:


Comentários

  1. Vocês fizeram uma dinâmica de ambientação, mas acabou não explicando de fato como aconteceu.
    Você diz muito bem sobre soluções. Costumo dizer que precisamos encontrar soluções para um problema e não ficar em grandes discussões no momento do problema. O momento da reflexão e novos planejamentos para o futuro. Há descrição suficiente e reflexão, mas falta diálogo teórico. Pode fazer melhor no artigo. PArece-me já bem adiantado aqui.

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